terça-feira, 21 de setembro de 2010

BELIEVE

EDIÇÃO PORTUGUESA: não existe
AUTORA: Victoria Alexander
EDITORA: Avon
ANO: 1998
PÁGINAS: 373

A lenda Arturiana sempre fascinou escritores, desde a era Medieval até aos dias de hoje. Noções como lealdade, honra e coragem nasceram aí. Em BELIEVE, Victoria Alexander pega na lenda e dá-lhe um twist moderno.

Tessa St. James é professora de Literatura Grega numa universidade norte-americana não especificada. Ela é uma mulher extremamente frontal e racional, que não acredita em mitos, magia ou amor. Ela é especialmente céptica em relação à lenda Arturiana, descartando qualquer hipótese de veracidade. Como não será difícil de adivinhar, depressa verá que está errada, pois o feiticeiro Merlin transporta-a para a mítica Camelot. O seu objectivo é fazê-la acreditar no amor e, com esse objectivo, dá-lhe uma missão: tem que ajudar Galahad, um dos cavaleiros da távola redonda, a encontrar o Graal, ou não poderá nunca mais voltar ao seu tempo. Como uma mulher do século XXI, Tessa tem dificuldade em adaptar-se à idade média: aos seus costumes, roupas, forma de falar e, sobretudo, àquilo que ela considera ser machismo. E as pessoas que a rodeiam também têm dificuldade em adaptar-se a ela, especialmente Galahad, que fica muito curioso em relação a esta mulher tão peculiar, com uma forma de falar e comportamento estranhos. Conforme se vão conhecendo, vão-se entendendo e a atracção inicial transforma-se em amor. Têm também que lidar com os vilões da história: Viviane, a mulher de Merlin, que deseja deixar a Idade Média e voltar ao mundo moderno e Mordred, o filho de Artur, que quer ocupar o lugar do pai.

A premissa deste livro não é propriamente original, mas não deixa de ser interessante. Apesar de ter alguns problemas com a heroína, as outras personagens são bastante interessantes. Gosto da forma como a autora utiliza a lenda Arturiana, tendo o cuidado de manter a fidelidade mas, ao mesmo tempo, fazer as mudanças necessárias à história.

Gostei de BELIEVE, é uma boa história com comédia, drama e alguma acção. Gostaria muito que alguém adaptasse este livro ao cinema.

CLASSIFICAÇÃO: 7/10

"When the peril is naught save illusion,
When the infidel comes to the fold,
When the offering can be no greater
Then the truth shall be revealed
and that which each man seeks shall be his."

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

THE SCARLET PIMPERNEL (The Scarlet Pimpernel #1)

EDIÇÃO PORTUGUESA: não existe
AUTORA: Baronesa Emmuska Orczy
EDITORA: House of Stratus
ANO: 1905
PÁGINAS: 294

Este livro é tão popular no mundo anglófono, que até admira nunca ter sido traduzido para português. Até hoje, mais de um século depois de ter sido publicado pela primeira vez, THE SCARLET PIMPERNEL continua a ser lido e apreciado por milhões de pessoas. E, na verdade, a sua influência ainda hoje se faz sentir. A Baronesa Emmuska Orczy, uma húngara naturalizada britânica, criou um dos primeiros heróis que se mascaram para combater a injustiça. Apenas dez anos depois, o escritor norte-americano Johnston McCulley criou o bem mais conhecido Zorro, mas foi a Baronesa Orczy que inventou esta ideia do herói mascarado, que finge ser alguém pouco corajoso para que nunca desconfiem da sua identidade. Todos os super-heróis que conhecemos hoje nasceram de uma ideia criada por Orczy.

A "scarlet pimpernel" é uma flor, conhecida em português como pimpinela (ou anagálide) vermelha. No livro, é esse o símbolo que o herói utiliza para assinar as cartas que escreve aos seus colaboradores e inimigos. A acção passa-se em 1792, no pico da Revolução Francesa. Matar membros da nobreza tornou-se um hábito e ninguém é poupado, nem mesmo crianças. O herói conhecido como The Scarlet Pimpernel dedica-se a salvar estas pessoas da guilhotina e a enviá-las para Inglaterra. Ele é tão engenhoso e inteligente (como nos é demonstrado logo no primeiro capítulo) que o Governo Revolucionário não o consegue apanhar. Apenas os seus colaboradores conhecem a sua identidade.


The Scarlet Pimpernel é, na verdade, o nobre inglês Sir Percy Blakeney, que para todos os que o conhecem não passa de alguém aborrecido e desinteressante. Ele é casado com a francesa Marguerite St. Just que, ao contrário do marido, é admirada por todos pela sua inteligência e beleza. O casamento dos dois tornou-se frio, sendo baseado num desprezo mútuo, causado, em ambos os lados, por mal-entendidos: ela desespera-se com a personalide monótona do marido; ele acredita ser ela a responsável por enviar um nobre que ele tentou salvar para a guilhotina.


O vilão da história é Chauvelin, um representante do Governo Revolutionário, cuja missão é capturar o Scarlet Pimpernel. A oportunidade perfeita para isso surge quando o irmão de Marguerite, Armand, parte para França, dando a Chauvelin uma razão para a chantagear: ou ela descobre a identidade do Scarlet Pimpernel ou Armand sofrerá as consequências. Desesperada, Marguerite consegue obter informação que permite a Chauvelin descobrir a identidade do herói. Sem mais ninguém a quem recorrer, ele pede ajuda a Percy, que promete fazer tudo o que puder para salvar Armand. Após ele partir para França, Marguerite descobre, horrorizada, que ele é o Scarlet Pimpernel. O que se segue é uma corrida contra o tempo em que ela o tenta avisar do perigo e ele tenta salvar Armand e outras vítimas.


Este livro tem tudo: acção, aventura, romance, drama, comédia e, acima de tudo, suspense, conseguindo lidar, ao mesmo tempo com temas mais profundos como amor, confiança, lealdade, manipulação e fazer o que está certo. Fala-nos também de máscaras, das máscaras que usamos perante os que no rodeiam e que nos permitem esconder quem somos; das máscaras usadas por ambos os protagonistas, que os afastam um do outro.


THE SCARLET PIMPERNEL tem apenas dois defeitos:

- tendo sido a autora um membro da nobreza, faz com que seja, por vezes demasiado parcial;
- as descrições são, por vezes, um pouco exageradas.

Fora isso, THE SCARLET PIMPERNEL é, sem dúvida, um dos melhores livros que já li.


CLASSIFICAÇÃO: 9/10

"They seek him here, they seek him there
Those Frenchies seek him everywhere
Is he in heaven or is he in hell?
That demned elusive Pimpernel"