segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MY SISTER'S KEEPER

EDIÇÃO PORTUGUESA: Para a Minha Irmã (Civilização)
AUTORA: Jodi Picoult
EDITORA: Hodder
ANO: 2004
PÁGINAS: 432

Este é o primeiro livro de Jodi Picoult que eu leio e, devo dizer, a impressão não é das melhores.

Temos Anna, a menina de 13 anos que foi concebida com as características genéticas específicas que lhe permitem salvar a vida da irmã com leucemia. Ela não quer continuar a ser um “apêndice” da irmã e contrata um advogado para pedir a emancipação médica.

Temos Kate, a irmã doente que não pode controlar o que os outros decidem ser melhor para ela. Ela quer morrer, precisamente porque não aguenta viver assim.

Temos Sara, a mãe que, ao dedicar todo o seu tempo a fazer de tudo para salvar a vida de uma filha, se esquece de ser uma mãe para os outros dois.

Temos Brian, o pai dividido entre o amor que deve a cada uma das filhas. Ele quer salvar Kate, mas também quer compreender Anna.

Temos Jesse, o irmão mais velho, completamente ignorado por quase todos e que se transforma num delinquente numa tentativa desesperada de chamar a atenção.

Temos Campbell, o advogado contratado por Anna, que se vê a braços com uma situação que o obriga a confrontar os seus próprios fantasmas.

E temos Julia, nomeada pelo tribunal para zelar pelos interesses de Anna, uma mulher que, tendo sido ferida por um primeiro amor falhado, é obrigada a revivê-lo.

São estas sete personagens que Jodi Picoult escolhe para narrar MY SISTER’S KEEPER e o problema começa precisamente aí. O uso de um narrador de primeira pessoa exige algum cuidado; é preciso saber bem o tipo de pessoa que a personagem é, o vocabulário que usa. Usar sete narradores de primeira pessoa exige sete vezes mais cuidado e Picoult não o tem: ela põe uma rapariga de 13 anos e um homem de 40 e tal a falar e agir da mesma forma; vemos uma dona-de-casa e um advogado, pessoas de extractos sociais diferentes, com um vocabulário semelhante. Atrevo-me mesmo a dizer que, se o nome do narrador não fosse indicado no início de cada capítulo, teria tido uma certa dificuldade em saber quem era. Este aspecto tira realismo e veracidade ao romance, contribuindo para algum distanciamento entre leitor e personagens.

Um outro aspecto que me desagradou bastante (e, segundo as opiniões que tenho lido, não foi só a mim) foi o final. Depois de tantas zangas e lutas judiciais, temos um final totalmente anti-climático e completamente irrealista. Não gostei.

MY SISTER’S KEEPER coloca várias questões e dilemas morais. Estará certo conceber um filho para salvar a vida de outro? Estará certo sacrificar um filho (ou mais que um) para fazer aquilo que achamos ser melhor para outro? Até que ponto é que os pais devem ter o poder de fazer escolhas pelos filhos? E será que sabem sempre o que é melhor, ou são inevitavelmente influenciados pelos seus sentimentos? A resposta a todas estas questões deixaria adivinhar um livro muito interessante. Infelizmente, Picoult escolhe contar esta história de uma forma mal estruturada e sem a profundidade exigida. Depois de ter colhido tantas opiniões favoráveis acerca dos livros da autora, não posso deixar de ficar um pouco desiludida.

CLASSIFICAÇÃO: 5/10

"Small tumblers in this puzzle begin to hitch for me. Traditionally, parents make decisions for a child, because presumably they are looking out for his or her best interests. But if they are blinded, instead, by the best interests of another one of their children, the system breaks down. And somewhere, underneathall the rubble, are casualties like Anna."

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